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Mostrando postagens de maio 11, 2025
 NOTA EM HOMENAGEM AO MESTRE NELSON SALDANHA Há duas imagens do direito que condicionam a compreensão do direito. A primeira trata o direito como um conjunto de normas pré-constituídas e preexistentes, isto é, o direito como um conjunto pretérito de decisões. Habermas enfatizou o tema. A norma é constituída previamente à interpretação e aplicação. A segunda entende que a norma não existe previamente e que somente se constitui no momento mesmo de concretização do direito.   Na primeira, o direito é entendido como ordem. Na segunda, como hermenêutica. Nelson Saldanha, ao compreender esta dualidade, postulou a tese de que toda ordem está relacionada a uma hermenêutica que lhe dá sentido da mesma forma que toda hermenêutica tem ligações estreitas com a ordem. Aqui estamos na encruzilhada do problema. A ênfase na ordem implica na fetichização do direito. A ênfase na hermenêutica pode gerar o esgarçamento do próprio direito. Estamos sempre entre ordem e hermenêutica. 
  AINDA MARX Os poetas nos revelam o valor das palavras. Trazem à vista matizes de palavras que outrora não dávamos a devida força. Um dos últimos livros de Pablo Neruda chama-se Ainda (Aún). A presença do advérbio de tempo no título provoca várias reflexões. Ainda indica uma persistência, mas parecia ressoar ali um certo cansaço, uma confissão de que o tempo do poeta já tinha passado e que a sua ‘residência na terra’ já era excessiva e desnecessária. Existe esse tom melancólico de despedida no livro. Não obstante, vislumbra-se uma certa persistência, uma força que martela, que exige a continuação. Continuação que afasta toda ingenuidade edificante e exige um olhar corajoso quanto às dificuldades, às contrições que o tempo impõe. Por isso, o ainda que o poeta, ele próprio comunista, desvelou serve de entrada para demonstrar a persistência de Marx. Jaques Derrida invoca os espectros de Marx a nos obsedar e, a despeito do esforço diuturno de conjurá-lo, na medida em que o nosso t...
 Obras Publicadas  NASCIMENTO, Luis Eduardo Gomes do. As antinomias do direito na modernidade periférica. Paulo Afonso: SABEH, 2018;  NASCIMENTO, Luis Eduardo Gomes do.  Os quilombos como novos nomos da Terra: da forma-valor à forma-comunidade. Minas Gerais: Dialética, 2020;  NASCIMENTO, Luis Eduardo Gomes do.  Do discurso retórico da legalidade à construção societária da legalidade. Curitiba: CRV Editora, 2024.  NASCIMENTO, Luis Eduardo Gomes do.  Marxismo, Arqui-Espaço, Agrimensuras Críticas. Curitiba: CRV, 2024.  E outros livros e centenas de artigos.

Tudo Através

  TUDO ATRAVÉS Se fosse possível responder a pergunta de Laclau dirigida a Zizek: sobre quem é o sujeito atual da emancipação? E lembrando o texto-resposta do próprio Laclau ‘’À espera dos marcianos’’, responderíamos que estamos na era do vazio político e da ausência de uma antropologia. Talvez, em tom dubitativo, pela gravidade do instante, podemos titubear que há uma senda: uma nova Era Clássica. Bem-vindos, todos, desde que ‘’tudo através’’.