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Mostrando postagens de junho 1, 2025

WARAT E A IDEIA DE LER

 WARAT E A IDEIA DE LER Mais uma vez, aparecera aquela solidão que se espraiava à espreita, vendo, que, a qualquer momento, um outro céu, à guisa de Cortazar, surgisse.  Warat dizia que era a mesma ideia que obsedava um filósofo. A mim, me parecia que era a mesma pergunta sobre o ato ler. O que é ler?   Pescar, distraído ou atento, o que poderia esplender e iluminar a ideia que se buscava, ou, no esforço das tardes modorrentas, ir no encalço do que era preciso encontrar, mesmo enfrentando geleiras e desertos. São formas que se sucedem na labuta de viver o surpreendente. O Prazer do Texto de Barthes. Livro lacônico. Esparso. Propondo fragmentos que cada um pudesse encontrar, como se fora espelhos de uma galeria, em que se refulgisse e se encontrasse o próprio desafio. Foi a lição que apresentou. Do conhecido ao desconhecido ou do conhecido ao conhecido?  Um livro repleto de fagulhas nos escuros profundos. Explicara o título.  A  fruição do texto não é ...

PEQUENA SONATA A LUIS ALBERTO WARAT

  PEQUENA SONATA A LUIS ALBERTO WARAT   “Perdão se quando quero contar minha vida é terra o que conto.” Aún, Pablo Neruda   Os sobressaltos de uma obra, radicada numa vida perscrutadora dos sentidos, não radicam na subjetividade do autor, por mais rica e prolífica que lhe seja a vida e a sua vida, ramificada. Como encontrar o liame entre o Warat clássico, aristotélico, semiólogo, fino mestre dos enunciados, e o Warat iconoclasta, surrealista epistêmico, buscando embaralhar as cartas, criando as disciplinas mais inusitadas, criticando Descartes e a lógica? Como conciliar o gesto teatral das aulas performáticas e os despachos do burocrata preocupado? É difícil arranjar um vínculo.  Deveras, no sertão, a palavra canga indicando o esforço, a dor, o sofrimento, a opressão, e a luta pela produção mais rústica, de alegrias toscas que só se vê em Faulkner, fez-me pensar naquilo que a semiologia moderna não tenha tematizado. Não é força material dos discur...