WARAT E A IDEIA DE LER
WARAT E A IDEIA DE LER
Mais uma vez, aparecera aquela solidão que se
espraiava à espreita, vendo, que, a qualquer momento, um outro céu, à guisa de
Cortazar, surgisse.
Warat dizia que era a mesma ideia que obsedava
um filósofo. A mim, me parecia que era a mesma pergunta sobre o ato ler.
O que é ler? Pescar, distraído ou atento, o que poderia
esplender e iluminar a ideia que se buscava, ou, no esforço das tardes
modorrentas, ir no encalço do que era preciso encontrar, mesmo enfrentando
geleiras e desertos. São formas que se sucedem na labuta de viver o
surpreendente.
O Prazer do Texto de Barthes. Livro lacônico. Esparso. Propondo fragmentos que cada um pudesse encontrar, como se fora espelhos de uma galeria, em que se refulgisse e se encontrasse o próprio desafio. Foi a lição que apresentou. Do conhecido ao desconhecido ou do conhecido ao conhecido? Um livro repleto de fagulhas nos escuros profundos. Explicara o título. A fruição do texto não é burguesa e é burguesa.
Fruir um texto não é diletantismo. É uma
terrível viagem a si mesmo, naquele instante, para o que se busca.
Sobre o combate à psicologia da unidade, a
mesma conclusão: sociedade é termo que
esconde os conflitos. Borbulha em cada formação social um conjunto de
contradições até porque, ultimamente, muitas são as imagens propagadas pela
mídia, pela TV, pelos jornais e etc.
Onde o texto se consuma? Nunca no leitor presunçoso. Nunca no leitor tíbio na crítica. Um texto é um modo-de-ser, não um objeto.
A quem serve os teus textos? Num realismo da geração pré-moderna da literatura nacional.
Noite na Baía de Todos os Santos
Julio Cortazar, O fogo todos os fogos, o outro céu
Julio Cortazar, Papeles inesperados, Editora Alfaguara
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