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Epistemes antigas e modernas

Adstringente noite

  As estradas de ferro percorrendo as terras ignotas a exigir estações onde a comunicação entre os povos acontece dos que emigram imaginando novos e dos que regressam nostálgicos do gosto da terra do rocio que amadurece os laranjais As estradas de ferro que cavam o ouro em que estalam vidas são as mesmas que trazem novas canções dão ensejo para a percepção do tempo da fábula de existir continuação dos que levam para os campos gerais a alquimia dos corações vencendo a barbárie Noite na Baía de Todos os Santos

A luz sozinha

  Estalactites silentes retinem um som opaco e brilhante Nas mais profundas imensidões Um Atlas onde acalmem-se  onde acalme-se a onírica artilharia LEGN

SOBRE UM NÃO ARGUMENTO DE CASTORIADIS CONTRA A SAGRADA FAMÍLIA DE KARL MARX E ENGELS

  SOBRE UM NÃO ARGUMENTO DE CASTORIADIS CONTRA A SAGRADA FAMÍLIA DE KARL MARX E ENGELS         Uma teoria tem valor veritativo quando incorpora a teoria da argumentação, direta ou indiretamente. A argumentação garante o horizonte de um debate fundado na dialética antiga, isto é, na arte do diálogo. Inicialmente, há que verificar critérios de coesão interna dos argumentos. Cornelius Castoriadis postula a tese de que a sociedade é feita por um conjunto originário de magma simbólico, urdindo a trama em que egos e papéis sociais existem e se consolidam. Embora a palavra simbólico, no debate brasileiro, tenha sido esvaziada e convertida em sinônimo de ineficácia, não se pode negar o poder dos símbolos como vetor dos laços societários e criador da realidade. O próprio sujeito, enquanto pólo de atribuições, constitui-se de símbolos. Na linha lacaniana, o inconsciente é linguagem. A argumentação leva a desvãos complexos, mas embarra no fato, salientado p...

Encontro com Heiddeger

Espero que Heidegger se afigure para mim como um acontecimento essencial de aprendizado e de superação de todo laivo de narcisismo e dogmatismo, no exercício e no esforço de compreender de verdade, de buscar em seus textos aquilo de precioso e de inusitado que possa emanar. Que não finja compreender quando é necessário pesquisar. Que, embora tenha feito críticas à estrutura do livro Ser e Tempo, e escrito um livro acerca do Ser e Espaço, a minha admiração incondicional por Marx e Hegel não possa ofuscar-me a compreensão. Que haja admiração sincera. Heidegger tinha uma preocupação genuína com o fim da arte, o sentido da técnica, o valor poético das palavras e, como Glauber Rocha, pensava no obscurecimento da Terra. Noite na Baía de Todos os Santos

WARAT E A FALÁCIA DA AUTORIDADE

  WARAT E A FALÁCIA DA AUTORIDADE  " 'Así creo yo que el común denominador de nuestro tiempo será esa Argentinidad presentida por Ricardo Rojas en las brumas de su horizonte y cujos perfiles de vestal quizás nadie ha reclamado con arrobo ni manchado com impurezas, porque el tiempo histórico ignora la impaciencia que tenemos los hombres'' ( Carlos Cossio, La plenitud del orden jurídico y la interpretácion judicial de la ley)     Parafraseando Louis Althusser, uma vida que não esteja em retardo com a teoria para não estar em retardo com a vida. Era a vida de Warat. Uma dialética viva, dificultosa em contextos autoritários como são, ainda hoje, os da América Latina.  Warat, no início, racionalista, mas, na trama viva dos intelectuais genuínos, emaranhou-se com questões surreais. Seria uma concessão ao irracionalismo afirmar, com Clarice Lispector, que a vida é sobrenatural? Assim se constitui a vida de um gênio atrapalhado, aprendiz da atenção e da s...

A rota dos pássaros

  Os pássaros espaventados dos sonhos manchavam de breu as luminárias Quando a luz que demora a crescer e, ao luzir, oscila, na alma amadurece   A incerta e intranquila paisagem Ali mesmo onde qualquer ser poroso ou que tanto confrontou tergiversa o que assoma evanescente Poderia invocar a solidão das paredes pejadas de cores inexistentes E as frestas onde cresce o desespero animal Uma coruja esgarçada em canto Um agudo, pontiagudo canto em cuja memória um fruto nascituro nos carcomidos vitrais da ausência   nos látegos da chuva   uma morna espera uma maneira difícil, distante de cantar LEGN Noite na Baía de Todos os Santos

O mar e o mar

 O mar levanta, sutilmente, as crinas sublevadas sobrenada os arrecifes e  espadana as pedras seculares perdidas no limo da eternidade e retorna a si, violento e crescente, revolvido na espuma que o corrói de sal, vertigem, barbatanas e medo e nas ferozes velocidades ígneas conhece o que é limite malgrado toda sua vastidão  LEGN