WARAT E A FALÁCIA DA AUTORIDADE
WARAT E A FALÁCIA DA AUTORIDADE
Parafraseando Louis Althusser, uma vida que não esteja em retardo com a teoria para não estar em retardo com a vida. Era a vida de Warat. Uma dialética viva, dificultosa em contextos autoritários como são, ainda hoje, os da América Latina.
Warat, no início, racionalista, mas, na trama viva dos
intelectuais genuínos, emaranhou-se com questões surreais.
Seria uma concessão ao irracionalismo afirmar, com Clarice
Lispector, que a vida é sobrenatural?
Assim se constitui a vida de um gênio atrapalhado, aprendiz
da atenção e da sutileza.
No início da carreira acadêmica, um aristotélico que colocou
em crise, em pequenas páginas, o autoritarismo latino-americano, típico de
caudilhos arrogantes, inexpressivos e nulos.
Afirmava que um argumento nunca vale pela autoridade porque,
na imanência que lhe é própria, deveria não apenas persuadir, mas ter conexão
com a realidade objetiva.
Num contexto em que cada cargo é um lugar da vontade imperial de quem o ocupa, em que cada agente ignora o todo que lhe legitima, o mero fato, fato extraordinário, de enunciar, com fineza lógica, a falácia da autoridade, valeu-lhe a garantia de ser um filósofo de coragem.
De minha parte, reinvindico Carlos Cossio: é um conceito puro de revolução, longe das determinações, sobrevelando-se, além, nas ideias. O mundo precisa de ideias.
Dessarte, cabe-nos pensar que as expressões decisórias
estatais tenham razões fundadas na lei e ética. Que o Estado seja assentado na
realidade. Que a autoridade seja a razão e que a razão, bem articulada,
mostre-se.
Warat era libertário. Haverá reabertura democrática, que só não será tão perfeita quanto à canção a Estrado do Sol de Dolores Duran e Tom Jobim.
Comentários
Postar um comentário