WARAT E A FALÁCIA DA AUTORIDADE

 

WARAT E A FALÁCIA DA AUTORIDADE

 "'Así creo yo que el común denominador de nuestro tiempo será esa Argentinidad presentida por Ricardo Rojas en las brumas de su horizonte y cujos perfiles de vestal quizás nadie ha reclamado con arrobo ni manchado com impurezas, porque el tiempo histórico ignora la impaciencia que tenemos los hombres'' (Carlos Cossio, La plenitud del orden jurídico y la interpretácion judicial de la ley)

 

 

Parafraseando Louis Althusser, uma vida que não esteja em retardo com a teoria para não estar em retardo com a vida. Era a vida de Warat. Uma dialética viva, dificultosa em contextos autoritários como são, ainda hoje, os da América Latina. 

Warat, no início, racionalista, mas, na trama viva dos intelectuais genuínos, emaranhou-se com questões surreais.

Seria uma concessão ao irracionalismo afirmar, com Clarice Lispector, que a vida é sobrenatural?

Assim se constitui a vida de um gênio atrapalhado, aprendiz da atenção e da sutileza.

No início da carreira acadêmica, um aristotélico que colocou em crise, em pequenas páginas, o autoritarismo latino-americano, típico de caudilhos arrogantes, inexpressivos e nulos.

Afirmava que um argumento nunca vale pela autoridade porque, na imanência que lhe é própria, deveria não apenas persuadir, mas ter conexão com a realidade objetiva.

Num contexto em que cada cargo  é um lugar da vontade imperial de quem o ocupa, em que cada agente ignora o todo que lhe legitima, o mero fato, fato extraordinário, de enunciar, com fineza lógica, a falácia da autoridade, valeu-lhe a garantia de ser um filósofo de coragem. 

De minha parte, reinvindico Carlos Cossio: é um conceito puro de revolução, longe das determinações, sobrevelando-se, além, nas ideias. O mundo precisa de ideias. 

Dessarte, cabe-nos pensar que as expressões decisórias estatais tenham razões fundadas na lei e ética. Que o Estado seja assentado na realidade. Que a autoridade seja a razão e que a razão, bem articulada, mostre-se.

Warat era libertário. Haverá reabertura democrática, que só não será tão perfeita quanto à canção a Estrado do Sol de Dolores Duran e Tom Jobim. 

 

 

 

 

 

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