Iterabilidade ou o contínuo?
O positivismo na medida em que aposta na ideia de um sentido
em si que fosse captável para além da história é metafísico. Ao alimentar a
ideia de que o sentido permanece unívoco parte do pressuposto de que o texto
permanece vinculado às circunstâncias que lhe deram ensejo. Daí a
instrumentalização de metáforas como ‘vontade do legislador’, ‘vontade da lei.
O que caracteriza o positivismo, portanto, é justamente a ocultação do lugar de
que emana e em que se dá a interpretação. A interpretação só é possível
justamente porque o texto, ao se desprender de um contexto cerrado, possui a
capacidade de ser revivido em outras circunstâncias. Derrida denomina isso de
iteração. Mas, em Jacques Derrida, todo texto é suscetível de se deslocar, de
se despreender de um horizonte rígido e fechado, engajando-se em outros
contextos não antevistos. Não se trata como Badiou, na fronteira do axioma,
dizer que se prescreve sem nomear, mas enunciar que o circuito do signo é como
uma ferramenta, útil à comunicação. Há chistes, lapsos, sintomas. Tudo isso
existe. Por que não dizer que o signo é útil?
Comentários
Postar um comentário