Linguagem e existência

 

Linguagem e existência

 

O que o existencialismo, ao radicar a vida humana na concretude, no projeto temporal e os óbices que se antolham, reinvidicava era, no início, a contradição entre a necessidade de sentido e a natureza absconsa da existência. Para Camus, revela-se como absurdo: a contradição entre o anseio de unidade entre a transparência da razão e a indiferença do universo.

No poema Traduzir-se, afirma Ferreira Gullar:

“Uma parte de mim, é só vertigem

Outra parte, linguagem”

No poema, o poeta traça o conflito que marca o artista, vogando entre o sentido e o não sentido, entre o que se esvaí no sensível e a urgência em traduzir em palavras. A obscuridade do eu, aquilo que em cada um é cultura e aquilo que escapa ao cognoscível culturalmente determinado porque não apreendido em linguagem, na urgência de compreensão, rente às questões que toda existência que se desgarrou dos estereótipos enfrenta.

Entre a vertigem do não sentido e a necessidade de linguagem, inscreve-se a motivação da poesia. Mas não é só: a arte é o lugar onde se engaja em problema o sentido da existência e o fato, grave e central, de que só se vive uma vida e que, conforme Jean Paul-Sartre, a felicidade não está garantida em princípio na assinatura de estar. Numa pergunta resgatada por Heidegger: por que existe o ser e não o nada. Com que sentido se bate uma existência? Ali onde a ciência não chegou, o que há de necessário encontrar”

 

As ilusões de Jean Paul-Sartre, o filósofo nas solidões da colônia

 

Noite na Baía de Todos os Santos

 

 

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